7 de Fevereiro
Inês Barahona

Nesta sessão, trabalharemos em primeiro lugar sobre a clarificação de alguns conceitos fundamentais: O que é o trabalho de mediação? Quem são os mediadores? De que se faz a mediação? E os mediadores medeiam o quê? Para quê? E para quem? O que é o público? Haverá diferentes tipos de mediação? Deveremos distinguir a mediação cultural e a mediação artística?

Na sequência da construção de um terreno conceptual comum, avançaremos para um trabalho prático de construção de estratégias de mediação, aplicáveis aos diferentes contextos profissionais dos participantes da formação, tirando partido de um léxico de ferramentas elaborado em conjunto.

Através da apresentação de casos de estudo e experiências comparativas, ambicionamos estender o horizonte do mediador, num exercício de constante inventividade.

  • Mediação: estar no meio, ligar as margens, construir as pontes, regular o trânsito
  • Conhecer, convocar, abrir espaços, propor: atividades do mediador
  • Tipos de mediação e perfil do mediador
  • Finalidade da mediação
  • Público: o que existe, o que ainda não o é, o que já deixou de o ser

Nota biográfica

Inês Barahona (n.1977) é licenciada em Filosofia e Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Faculdade de Letras (Universidade de Lisboa). Fundou, em 2014, com Miguel Fragata, a companhia de teatro Formiga Atómica, onde co-criou os espectáculos “A Caminhada dos Elefantes” (2013), “The Wall” (2015), “A Visita Escocesa” e “Do Bosque para o Mundo” (2016), “Montanha-Russa” (2018), “Fake” (2020) e “O Estado do Mundo” (2022). Assina os textos da companhia. Trabalhou com Madalena Victorino, entre 2005 e 2008, no Centro de Pedagogia e Animação, do Centro Cultural de Belém, onde desenvolveu projectos de relação entre as artes, a educação e diferentes comunidades. Foi co-autora do “Livro Escuro e Claro”, para a Direcção Geral das Artes, cuja distribuição acompanhou, dando formação a equipas de serviço educativo e professores. Colaborou com Giacomo Scalisi na inauguração do Teatro Municipal de Portimão, em 2008, tendo sido responsável pelas relações com a comunidade.  Colaborou ainda com outros artistas na escrita e dramaturgia. Dá formação nas áreas da escrita, comunicação e mediação.

14 de Fevereiro
Joana Andrade

A educação artística é um direito fundamental de todos, qualquer que seja o contexto social, a faixa etária e a identidade de cada um. Permite estabelecer pontes entre a abstração do conhecimento e a vida real, entre nós e o espaço que habitamos, entre nós e o espaço que construímos, entre nós e os outros. O desenvolvimento de competências de expressão artística constitui-se, assim, como uma plataforma de comunicação e relação indispensável no percurso da existência humana conduzindo o nosso ser social ao reencontro de valores estruturantes e acessíveis a todos. Assim chegamos à importância da mediação artística, tanto quanto é preponderante a mediação em sentido lato. A arte como identidade cultural e a expressão artística como identidade individual, tornam-se acessíveis através de práticas significativas de mediação. Neste âmbito, a sessão será constituída por uma partilha teórico-prática de conceitos, metodologias e ferramentas que povoam a nossa experiência na mediação artística. A sessão terá um carácter eminentemente prático e participativo.

  • A educação artística como direito fundamental.
  • O acesso à arte para a construção de identidade cultural colectiva.
  • O acesso à expressão artística para a construção de identidade cultural individual.
  • Práticas significativas de mediação artística.
  • Conceitos, metodologias e ferramentas para a mediação artística.

Nota biográfica

Joana Andrade é investigadora em Educação Artística (CIEBA-FBAUL); pós-graduada em reabilitação e conservação do património arquitectónico (1996, KU Leuven); arquitecta (1994, FA/UTL); formadora acreditada (CCPFC- Universidade do Minho); educadora artística e mediadora cultural em programas educativos de várias instituições culturais e museológicas em Portugal, nomeadamente no Museu Gulbenkian e no MAAT, como especialista em públicos com necessidades específicas; membro fundador e colaboradora da Associação ECARTE XXI –Educação, Cultura e Arte para o século XXI; fundou e coordena o Projecto Espaço_Corpo, onde se cruzam a arquitectura, a paisagem, a dança, a alimentação – cozinha criativa e o pensamento crítico como áreas do conhecimento indissociáveis e promotoras da inclusão e acessibilidade cultural.

21 de Fevereiro
Susana Gomes da Silva

Serviços educativos, programação de públicos, serviço de mediação, extensão cultural… Muitas são as designações que procuram descrever a área que dentro dos museus se dedica à construção de diálogos, espaços de aprendizagem partilhada e, acima de tudo, lugares de encontro. Como e porque construímos estes lugares de encontro, que conceitos e práticas enformam as nossas estratégias, que equipas desenham este tecido de construção conjunta, que questões presidem aos programas e atividades que esboçamos para e com os públicos? Estas e outras questões estarão no centro da abordagem e reflexão sobre mediação e programação educativa proposta por este módulo.

  • Ainda faz sentido falar de serviços educativos?
  • Como desenhamos espaços de encontro?
  • Mediar é estar entre… o quê?
  • Equipas e outras variações – o lugar e as vozes da mediação
  • Construir conhecimento, desenhar mapas partilhados de sentido
  • Ver, pensar, questionar – construir experiências significativas

Nota biográfica

Susana Gomes da Silva é programadora, mediadora cultural, professora e consultora na área de educação nos museus. Actualmente, é responsável de educação e programadora educativa no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (cujo serviço educativo fundou em 2002), tendo sido nos últimos 5 anos Responsável de Programação Educativa do Museu Gulbenkian (Coleção Moderna e Coleção do Fundador).  É autora de várias publicações nacionais e internacionais. Presentemente, leciona a cadeira de Mediação e Educação em Museus no mestrado de museologia da Universidade Nova de Lisboa. Gosta de pensar que é também uma espécie de parteira de serviços educativos, uma das tarefas que mais gosta de desempenhar.

7 de Março
Susana Menezes

Nesta sessão, serão abordadas práticas de programação e mediação para públicos específicos com especial enfoque nas artes performativas. Procurar entender a programação, o edifício e as equipas como elementos centrais no processo de relação e mediação, reduzindo a distância entre as práticas artísticas e os seus discursos, e os públicos. Promover diferentes descobertas, leituras e entendimentos sobre as obras, e o mundo de modo a construir um acervo individual, um conhecimento experienciado e esclarecido a uma consequente opinião critica. Servir como tradutor do mundo através de múltiplos formatos artísticos trabalhando sobre assuntos da contemporaneidade.

  • Que programas para que públicos?
  • Como ampliar a experiencia com as partes e com o todo?
  • Que espaço de liberdade é que cada um tem na relação com o que anda na orbita de um espectáculo?
  • Um edifício pode influenciar ou não o tipo de mediação com os diferentes públicos
  • Que lastro pode deixar na vivencia individual de cada um
  • Mediar assuntos difíceis.
  • O caso do LU.CA Teatro Luís de Camões

Nota biográfica

Susana Menezes é licenciada em Design de Produto pela ESAD Matosinhos. Foi bolseira na Hogeschool, departamento de design de produto, Antuérpia. Participou em workshops de criação e metodologia de projecto, com Christopher Jones, Uwe Fischer e Xavier Mategot no Museu da Vitra em coprodução com o Centro George Pompidou. Fez Pós-graduação em Gestão Cultural nas Cidades no INDEG/ ISCTE e frequentou o mestrado em Comunicação e Cultura na mesma instituição de ensino. Lecionou disciplinas artísticas em diferentes níveis de ensino e realizou workshops para grupos de risco no Vale de Campanhã, Porto. Desde 2001 faz Programação em Serviços Educativos, iniciou esta actividade com a abertura do Serviço Educativo do Teatro do Campo Alegre, Porto. Colaborou com instituições, como a Fundação de Serralves, Gulbenkian, e Artemrede – Teatros Associados. Em 2006, deu início ao Programa para Crianças e Jovens do Teatro Maria Matos onde programou durante 12 anos. Actualmente é diretora artística do LU.CA Teatro Luís de Camões.

14 de Março
Denise Pollini

Nesta sessão, pretendemos oferecer um panorama da Mediação Cultural e prospetar os seus caminhos futuros. A partir de tópicos selecionados, dentre os temas mais relevantes para esta práxis, serão discutidos exemplos e debatidos os saberes que fundamentam a sua relevância. O objetivo final será fortalecer a Mediação Cultural em sua prática na produção de conhecimento, no fomento ao espírito crítico e no incentivo à experiência estética.

  • Qual a razão para ainda discutirmos os significados da Mediação Cultural? Uma proposta para a construção de um vocabulário em comum.
  • Por quê realizar a Mediação Cultural? A Mediação Cultural e a relação com a obra de arte/artefacto;
  • Pensar o “dispositivo pedagógico da explicação” e a Mediação Cultural em sua relação com a Escola;
  • A Estética Relacional e a Mediação Cultural: novas maneiras de pensar a Mediação em espaços museológicos – um exercício prático.
  • Palavras-chave para a Mediação Cultural no século XXI.

 Nota biográfica

Denise Pollini foi coordenadora do Serviço Educativo do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, entre 2015 e 2021. Entre 1999 e 2015, exerceu a mesma função no Museu de Arte Brasileira em São Paulo, Brasil. Em cerca de 22 anos de trajetória profissional, tem idealizado e coordenado projetos educativos destinados ao público escolar, à formação para professores, às famílias e crianças assim como iniciativas no âmbito da inclusão social e intelectual. Na área dos programas destinados ao público adulto, desenvolveu inúmeros projetos de mediação artística, assim como encontros, mesas redondas, conferência e seminários. Atualmente, trabalha como investigadora e consultora na área de educação em museus e mediação cultural. É membro associado da Acesso Cultura, Portugal.

21 de Março
Virgínia Gomes

Porquê criar programas para pessoas com demência e seus cuidadores, em museus? A realidade demográfica portuguesa e europeia demonstram a inversão da pirâmide etária e a urgência em apoiar uma faixa da população idosa, muitas vezes ativa, para a qual as iniciativas culturais são um meio de socialização e de recuperação de cidadania. A obra de arte utilizada como instrumento de comunicação da matriz cultural e pessoal destes públicos, pode ser um motor de promoção da saúde mental, do enriquecimento cultural e de inclusão social. As práticas internacionais e o exemplo nacional, através do programa EU no musEU, serão abordados aqui, sob a perspectiva da motivação, das parcerias, das equipas, das metodologias, da formação, da investigação, das avaliações regulares do programa, sua validação e impacto junto dos públicos. Por outro lado, o projeto Avós do Museu, criado igualmente para públicos adultos idosos, no âmbito do envelhecimento ativo, incentiva o diálogo intergeracional, a partir das coleções do museu e das experiências de vida dos mais velhos, com crianças em idade pré-escolar.

  • Mediação: Conceito e práticas.
  • A obra de arte como instrumento de comunicação e de promoção da acessibilidade intelectual e social, com públicos com necessidades específicas, em contexto museológico:

– Na fruição da obra de arte e do espaço museológico por pessoas com demência: EU no musEU (grupo dos Participantes);
– Na aprendizagem em idade adulta, com adultos idosos: EU no musEU (grupo dos Cuidadores).
– Na intervenção cultural e social, pelo projeto intergeracional Avós do Museu.

  • Exemplos e exercícios práticos.

Nota biográfica

Virgínia Gomes é conservadora das coleçcões de Pintura, Desenho e Gravura do Museu Nacional de Machado de Castro em Coimbra, desde 1993, tendo produzido investigação sobre pintura antiga e comissariado exposições, em diferentes áreas e com equipas multidisciplinares. Coordena alguns projetos de inclusão, com destaque para o programa EU no musEU, para pessoas com demência e seus cuidadores informais, criado em 2011, distinguido e referenciado por organismos da sociedade e da cultura em Portugal e na UE e já replicado em Viseu, em 2018. Licenciada em História, pela FLUL (1983-1987), complementou a formação académica com as disciplinas curriculares de História da Arte, pela FLUC (1996-2000) e especializou-se em comunicação aumentativa junto de pessoas com demência, em museus, com o mestrado em Educação Especial, pela ESECS do Instituto Politécnico de Leiria (2014-2016). Defende o papel do Museu como agente ativo na promoção da (in)formação para todos e com todos.