No seguimento da publicação do muito aguardado “Cultural Compass for Europe”, que orientará a política cultural da União Europeia (UE), assim como de uma entrevista do Comissário Glenn Micallef, partilhámos com o gabinete do comissário as nossas esperanças e preocupações:

Pontos de esperança

  • Reconhecimento do papel da Cultura na preservação da humanidade na Europa, com base em valores;
  • Reconhecimento da UE como um projecto cultural;
  • Reconhecimento de que estamos perante um contexto político cada vez mais autoritário (interferência, censura e auto-censura, intimidação);
  • Reconhecimento das péssimas condições de trabalho enfrentadas pelos profissionais da cultura e pelos artistas em muitos países da UE;
  • Relatórios periódicos sobre o Estado da Cultura na UE;
  • Diálogo permanente com os profissionais da cultura em relação ao relatório acima referido.

Pontos de preocupação

  • A grande distância entre a teoria e a prática (como é que os chamados “valores europeus” influenciaram as decisões sobre as políticas da UE, por exemplo, para a imigração, a liberdade de expressão, a emergência climática, etc.?);
  • A ideia de que a cultura é feita/criada por profissionais da cultura e artistas (uma visão limitada, que equipara “cultura” e “artes”), ignorando o papel de cada cidadão e das organizações da sociedade civil – vale a pena ver o plano estratégico do Arts Council England (Let’s Create) e a Política Nacional de Cultura da Austrália (Revive), que reconhecem o papel dos indivíduos/cidadãos na construção da cultura (ou seja, na construção do “quem somos”);
  • Uma confusão persistente entre profissionais da cultura e artistas, onde, embora ambos sejam mencionados, a atenção se concentra nos artistas (por exemplo, a Carta dos Artistas da UE para “artistas e trabalhadores da cultura”) – este foi um problema constante aquando da discussão do estatuto dos profissionais da cultura em Portugal.

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