Nesta altura do ano, estamos a preparar o programa do primeiro semestre de 2025. Mas esta preparação seria pouco relevante se não olhássemos para o ano que está a chegar ao fim. O que é que alimentou o nosso pensamento e informou as nossas práticas? O que é que nos ajudou a crescer?
Lançámos as Cartas para a Inclusão

Desafiados pelo Unlimited – a organização britânica que encomenda, apoia, financia e promove novos trabalhamos de artistas com deficiência – apresentámos a versão em português das Cartas para a Inclusão, um jogo que ajuda o sector da cultura a pensar criativamente as barreiras à participação cultural para pessoas com deficiência e Surdas. Para a ilustração das cartas, contámos com a inspiração do artista visual Daniel Moraes. Introduzimos ainda uma novidade, um QR code com a audiodescrição das ilustrações.
Apoiámos dois projectos bonitos
O corpo que contesta o seu lugar na sociedade. O Ciclo Corpos Políticos, com curadoria de Diana Niepce, realizado na Culturgest em Março, foi um projecto de investigação, formação de público e programação que tentou mapear a presença do corpo fora da norma na arte performativa.
A AMPLA – mostra de cinema, na sua 3ª edição, é a prova de que é possível (e urgente) tornar o cinema em Portugal acessível também a pessoas com deficiência visual, s/Surdas ou neurodivergentes. Uma festa do cinema, que apresenta uma seleção de filmes premiados nos principais festivais nacionais.
Sentimo-nos felizes, orgulhosos e gratos por termos tido a oportunidade de fazer parte de ambos.
Dois projectos europeus chegaram ao fim em Agosto

All Areas Access foi um projecto que procurou soluções inovadoras para tornar os concertos ao vivo e os clubes de música mais acessíveis a pessoas s/Surdas. No website do projecto podem encontrar as nossas recomendações.
In Ex(ile) Lab apoiou artistas no exílio que procuram construir uma carreira no país de acolhimento. No website do projecto encontra-se o catálogo digital sobre estes artistas e uma publicação de ferramentas.
Emergência climática: e a Cultura?

A Fábrica das Palavras, em Vila Franca de Xira, acolheu a nossa conferência anual no dia 21 de Outubro. Desde o impactante discurso de abertura da artista Maret Anne Sara às ricas e, às vezes, desconfortáveis conversas que se geraram pelos painéis, esse foi um dia que nos marcou e no qual ainda estamos a pensar. Sobretudo, a pensar no futuro. Através deste link, podem ter acesso não só às gravações, mas também a sugestões de leitura.
Houve ainda…
- consultorias que nos trazem muito conhecimento e que refinam a nossa sensibilidade, como aquelas para o projecto de arte urbana Wool+ (Covilhã), o Museu das Flores (Açores), o foyer do Teatro do Bairro Alto ou as acessibilidades do Capitólio e do Teatro de Variedades (Lisboa).
- a Rede de Teatros com Programação Acessível que, com o generoso apoio do BPI/Fundação La Caixa, acolhe agora 11 teatros.
- a maravilhosa notícia de que vamos trabalhar na avaliação do projecto Europe Beyond Access
- debates, onde destacamos o ciclo “The activist museum: going deeper” e “Apoio à maternidade/paternidade no sector cultural”
- acções de capacitação, em diferentes pontos do país e online

Em 2024, despedimo-nos da bailarina e coreógrafa Mickaella Dantas, que dá agora o seu nome aos Prémios Acesso Cultura. Despedimo-nos também de Nuno Santos, o rosto do acolhimento e da acessibilidade no Teatro São Luiz.
Estamos prontos para o ano novo, a sua doce memória motiva e inspira-nos.
