Temas de museologia: uma introdução

Cartaz ciclo conferências

A Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova está a criar um novo centro de interpretação, o PO.RO.S – Portugal Romano em Sicó. O centro será dedicado ao romano em Portugal, em especial à zona de Sicó, e funcionará em complemento a Conímbriga.

Pensando na necessidade de formação da equipa que integrará o PO.RO.S, a Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova solicitou à Acesso Cultura o desenho de umcurso de formação e de um ciclo de conferências, sobre temas que dizem respeito à relação dos museus com os públicos e, consequentemente, sobre as questões de acesso – físico, social e intelectual. A entrada ao ciclo de conferências será livre.

No final desta página, encontram-se as notas biográficas dos formadores e conferencistas.

CURSO DE FORMAÇÃO
Dias
: 15, 22, 29 Fev | 7, 14 Mar 2016 (segundas-feiras)
Horário: 9.30-12.30 e 14h-17h
Local:
Edifício da Quinta de S. Tomé (futuro museu PO.RO.S)
Av. Bombeiros Voluntários de Condeixa-a-Nova, n.º 41
Condeixa-a-Nova
Mapa


15 Fev

Comunicação em museus
Formadora: Maria Vlachou
22 Fev

Plano de marketing
Formadora: Maria Vlachou
29 Fev

Atendimento e relações públicas
Formadora: Maria Vlachou
7 Mar

Marketing digital
Formadora: Catarina Medina
14 Mar

Serviços educativos
Formadora: Ana Rita Canavarro


CICLO DE CONFERÊNCIAS
Dias
: 18, 25 Fev | 3, 10, 17 Mar 2016
Horário: 18h30-20h
Entrada livre
Local
:
Edifício da Quinta de S. Tomé (futuro museu PO.RO.S)
Av. Bombeiros Voluntários de Condeixa-a-Nova, n.º 41
Condeixa-a-Nova
Mapa

18 Fev
Educação para a cidadania: o papel dos museus
Inês Fialho Brandão
Museus, Educação, Cidadania: três palavras imponentes, pesadas, carregadas de complexidade e expectativas. E são muitas as instituições – públicas ou privadas, de tutela ou abertas ao público – que proclamam ser essa a missão de um museu. Do mesmo modo, notamos que as mesmas instituições que proclamam este papel não são necessariamente as que mais activas são na sua posta em prática. O que se entende, dada a reflexão prévia que decidir a missão do museu requer, e o foco de atenção que a colecção museológica  e a sua preservação representam para quem constrói e trabalha nos museus. Para mais, a instabilidade de recursos – humanos, financeiros, de tempo – tem um efeito de erosão contínua nas melhores intenções. Não quer isto dizer que os museus sejam mais um caso de Bem prega Frei Tomás. Na realidade, os museus ocupam um espaço privilegiado e seguro, em que pessoas pré-dispostas a ouvir, a interagir, a imaginar, se encontram com colecções-portal para experiências de auto-reflexão, de auto-conhecimento, e até de tomada de risco. 

25 Fev
Trabalhar em equipa: o papel de cada um na promoção da missão da instituição
Rui Catarino
A missão é um elemento tão descurado quanto nuclear para o sucesso de uma instituição, cultural ou não. A sua mera enunciação, com maior ou menor verve, no entanto, não garante o alinhamento dos recursos na sua prossecução e, menos ainda, o cumprimento dos objectivos a que a organização se propõe, em prol do seu público e demais interessados. A prossecução da missão não é, também, domínio exclusivo do(s) líder(es), antes sendo responsabilidade de todos os membros de qualquer organização. A coerência de propósitos de todos, em teoria e na prática, é assim o motor que impele a instituição no cumprimento da sua missão. Esta conferência pretende abordar a importância do alinhamento de todos com a missão da instituição cultural, refletindo sobre temas como planeamento, liderança, comunicação e dinâmica de grupos.

3 Mar
O impacto do digital na gestão e comunicação

Alexandre Matos
As novas tecnologias têm entrado no nosso quotidiano de forma avassaladora. Todos os dias é criada uma nova ferramenta informática, um novo sistema, uma nova funcionalidade, uma rede social específica que alteram e determinam a forma como os museus são geridos e a forma como comunicam com os seus públicos. A influência do digital é líquida e abrange todas as áreas, por tal é urgente que os museus possam lidar com o seu impacto. Mas como será que os museus estão a lidar com esta situação? O que muda na gestão e comunicação dos museus? Que respostas estão estas instituições a dar a esta situação? Que preparação têm os profissionais? Que novos perfis profissionais são necessários? Que novas políticas são necessárias? Qual o impacto na missão dos museus? Nesta comunicação procuraremos explorar estas questões e reflectir sobre as respostas (ou ausência destas) encontradas até agora.

10 Mar
Participação cultural: motivações e barreiras

Ana Braga
Em 2013 um relatório do Eurostat dava conta que, na Europa, a forma mais comum de participação numa actividade cultural era ver ou ouvir um programa na TV ou na rádio (72% dos europeus tinham feito isto pelo menos uma vez nos últimos doze meses). A actividade menos popular era ir ao ballet, a um espectáculo de dança ou à ópera, com apenas 18% de adesão. Os museus estavam mais ou menos no meio da tabela com 37% de participação. Porquê? Que barreiras ou motivações espelham estes números? Será uma questão “cultural”? Uma questão de preço? De distância? De “exigência”? O que podemos fazer para que as pessoas venham até nós?

17 Mar
O acesso aos monumentos nacionais | Linguagem acessível
Clara Mineiro
É vulgar associar a acessibilidade ao património com a existência de rampas ou elevadores, mas hoje o conceito é muito mais abrangente. As boas práticas internacionais consideram que o assunto deve ter uma abordagem global e transversal na vida das instituições, envolvendo todos os seus sectores de actividade e todos os funcionários, a começar por aqueles que estão em lugares de chefia. O Projecto de Comunicação Acessível e Inclusiva propõe-se criar soluções de comunicação diversas contemplando várias formas de comunicação multissensorial que se adeqúem às necessidades de vários públicos, independentemente da sua idade, deficiência ou incapacidade. Uma grande oportunidade e um enorme desafio.

11 Jul
De visitante a utilizador: acesso e experiência para todos
Josélia Neves
Trazer novos públicos e fidelizar aqueles que já lá vão são hoje preocupações de gestores e dirigentes de espaços culturais e museus. Igualmente preocupação é a criação de condições para que todos – independentemente da idade, origem e/ou necessidades pessoais – possam experienciar cultura de forma plena. O interesse em questões de acessibilidade, que caracterizaram o início deste século, estão a dar lugar a um enfoque na “experiência”, como factor essencial para uma aproximação de diferentes pessoas à cultura que poderá ser a sua ou a de outros povos. Nesta apresentação serão debatidas estratégias concretas utilizadas para a criação de um espaço museológico aberto a experiências inclusivas que sirvam indivíduos e grupos diversos, que potenciem aprendizagens e criem novos hábitos de visita a museus. Para o efeito, será dado a conhecer um estudo, em curso num museu de arte moderna, em que se pretende avaliar o impacto de experiências multissensoriais na exploração de arte por parte de famílias de diversos perfis.

NOTAS BIOGRÁFICAS

Alexandre Matos
Doutor em Museologia pela Universidade do Porto é, actualmente, director do Departamento de Investigação e Formação da Sistemas do Futuro, Lda. e Professor Afiliado no Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Foi responsável pela primeira tradução da norma SPECTRUM para Português e faz actualmente parte da equipa que gere a tradução e adaptação da norma nos territórios de Portugal e Brasil através do projecto SPECTRUM PT. É investigador do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura Espaço e Memória (CITCEM), membro do conselho consultivo do projecto eCultSkills e embaixador do eCultObservatory. É membro do ICOM e do seu Comité Internacional para a Documentação (CIDOC). Escreve regularmente no blog Mouseion.

Ana Braga
Licenciada em Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Mestre em Museologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Os seus interesses profissionais prendem-se com a promoção do acesso às instituições museológicas, às suas colecções e acervo. Desenvolveu trabalho na área dos sistemas de documentação e inventário em instituições como o Ecomuseu Municipal do Seixal ou o Instituto de Higiene e Medicina Tropical. É membro do Grupo de Trabalho em Sistemas de Informação em Museus da BAD. É responsável e co-fundadora da Gerir Colecções, um projecto de divulgação e discussão de temas diversos na área da Gestão de Colecções. Colabora com o Centro de Arqueologia de Almada na gestão do seu acervo mas também na concepção e execução de actividades de educação patrimonial. É membro da direcção da Acesso Cultura desde 2014.

Ana Rita Canavarro
Licenciada em História da Arte (Universidade Nova de Lisboa, 1999). Mestre em Museums and Galleries in Education (Universidade de Londres/British Museum e Victoria & Albert Museum, 2003). Entre a sua experiência profissional conta-se o Projecto Educativo da Transforma AC para as artes contemporâneas performativas, pelo qual foi responsável; a coordenação do Serviço Educativo do Centro de Interpretação Batalha de Aljubarrota; e a coordenação de projetos educativos no Programa Gulbenkian Educação para a Cultura e Ciência.  Actualmente, é Assessora do Núcleo de Museu do Banco de Portugal. Como consultora, tem dirigido acções de extensão e mediação cultural em instituições culturais como museus, teatros, centros de artes e exposições. Foi visiting professional da Freer and Sackler Galleries em Washington DC. Docente convidada dos cursos de pós-graduação e mestrado da Universidade de Évora e da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. É  directora e fundadora, desde 2009, da Associação I.Muse – Educação e Mediação na Cultura.

Catarina Medina
Licenciada em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo pela UAL, Lisboa. Iniciou o seu percurso como jornalista freelancer no jornal Público, entre outros. De 2006 a 2008 foi responsável pela comunicação do alkantara festival. Desde janeiro de 2009 é Directora de Comunicação do Maria Matos Teatro Municipal,  sob a direcção artística de Mark Deputter. Lecciona presentemente a disciplina deComunicação e Marketing nas Artes Performativas na associação cultural Forum Dança.

Clara Mineiro
Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e trabalha no Departamento de Estudos, Projectos, Obras e Fiscalização (DEPOF) da Direção Geral do Património Cultural (DGPC). Criou em 2003 no Instituto Português de Museus (IPM) o “Projecto Museus &Acessibilidade”, em parceria com associações que representam pessoas com deficiência. Como resultado dessa parceria, editou o manual “Museus e Acessibilidade” e coordenou várias exposições temporárias com preocupações de acessibilidade. Depois de um estágio profissional em Londres em 2008, concebeu e coordenou em 2010 um projecto-piloto de acessibilidade na exposição permanente do Museu Nacional do Azulejo. Terminou em Setembro de 2012 o 1.º ano do programa de doutoramento na Universidade de Westminster, em Londres, com estudo centrado na experiência de pessoas cegas em museus.

Inês Fialho Brandão
Museóloga, tem interesse especial nos temas de museus e ética; museus e educação; e a interacção entre museus, património natural e turismo. Licenciada em História e História de Arte (University of Edinburgh, 2000) e Mestre em Museum Studies e Near Eastern Studies (New York University, 2002). Bolseira da Fundacao Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Presentemente, prepara o doutoramento na National University of Ireland, apoiado pela Fundação Ciência e Tecnologia. Colabora, ou colaborou, em projectos de investigação, comissariado e/ou educativos, com, entre outros:  Museus Municipais de Cascais, Museu Nacional de Arte Antiga, Casa-Museu Anastácio Goncalves, Qatar Museums Authority, Brooklyn Museum of Art, Metropolitan Museum of Art. É a correspondente na Peninsula Ibérica para o Holocaust Art Research Project, gere as redes sociais do ICOM Portugal, foi membro da direccao da Acesso Cultura.

Josélia Neves
Professora de tradução Audiovisual na Hamad bin Khalif University, no Qatar. Na sua carreira, enquanto professora do ensino superior e investigadora, tem levado a cabo inúmeros projectos colaborativos para o desenvolvimento de estratégias de comunicação inclusiva nos meios audiovisuais, artes da representação e espaços culturais e museológicos. A par da sua actividade docente no Qatar, continua a leccionar e a desenvolver projectos em Portugal e no estrangeiro. Enquanto membro activo do grupo de investigação internacional TransMedia Research Group, continua também a estabelecer pontes entre a academia e o tecido social em que actua através de projectos de investigação-acção.

Maria Vlachou
Consultora em Gestão e Comunicação Cultural. Directora Executiva da associação Acesso Cultura. Autora do blog Musing on Culture e do livro homónimo. Formadora certificada e conferencista na área da gestão e comunicação cultural. Foi Directora de Comunicação do São Luiz Teatro Municipal (2006-2012) e Responsável de Comunicação do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva (2001-2006). Foi consultora do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva e da Comissão Cultural da Marinha. Colaborou com os programas Descobrir e Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian. Estagiou no Petrie Museum of Egyptian Archaeology e no Natural History Museum (Londres). Membro dos corpos gerentes do ICOM Portugal (2005-2014) e editora do seu boletim (2008-2014).Alumna do DeVos Institute of Arts Management at the Kennedy Center for the Performing Arts; Mestre em Museologia pela University College London; Licenciada em História e Arqueologia pela Universidade de Ioannina.

Rui Catarino
Gestor Cultural com experiência em várias das principais organizações culturais portuguesas, como o São Luiz Teatro Municipal (2005-2010), o OPART – Organismo de Produção Artística, EPE (2010-2011), a Fundação de Serralves (2011) e Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura (2011-2012). Integrou, como Assessor, o Gabinete da Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa (2004-2005) e, como Técnico Especialista, o Gabinete do Secretário de Estado da Cultura do XIX Governo Constitucional (2013-2015). É, desde 2005, quadro da EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, exercendo funções de Assessor do seu Conselho de Administração desde Outubro de 2015. É, desde 2007, Assistente Convidado da Escola Superior de Teatro e Cinema, onde lecciona Gestão Cultural. É licenciado em Economia pelo ISEG, Pós-Graduado em Gestão Cultural nas Cidades pelo ISCTE e foi Fellow do DeVos Institute of Arts Management at the Kennedy Center, em Washington D.C.