LU.CA – Teatro Luís de Camões
Pelo “Guia para pensar sobre uma assembleia de Assembleias”
O guia elaborado para a exposição “Uma assembleia de Assembleias” incentiva a exploração e a reflexão sobre as obras expostas no LU.CA–Teatro Luís de Camões. Este guia é composto por recriações feitas por ilustradores nacionais a partir do hemiciclo do Palácio de São Bento. Integra a colecção de livros “Missão: Democracia” da Assembleia da República.
Com a atribuição deste prémio, destacamos qualidades que consideramos particularmente relevantes no actual contexto social. No que concerne aos grupos etários seleccionados, ressaltamos a importância do estímulo precoce à aprendizagem dos valores da democracia, à participação política e à cidadania. Destacamos, igualmente, a pedagogia implícita nos exercícios propostos – como aprender a escutar e aprender a alcançar consensos, ambos pilares fundamentais para o exercício da liberdade.
Por fim, enfatizamos a relevância atribuída ao estímulo da observação, reflexão e expressão gráfica da subjectividade no primeiro grupo etário. As perguntas “Se falarmos mais alto, as pessoas entendem melhor o que dizemos?” ou “Quando falam contigo num tom de voz mais alto, entendes melhor o que te dizem?” são exemplos claros e (aparentemente) simples de uma indagação que todos nós, adultos, deveríamos interiorizar, a fim de alcançar uma convivência comunitária mais harmoniosa.
Museu do Ipiranga
Menção Honrosa
Pelo texto “Coisas para trabalhar e coisas para decorar”
Depois de nove anos fechado, o Museu do Ipiranga reabriu com novas salas e novos conteúdos. E com um desafio antigo de quem escreve para museus: como falar de História sem excluir o visitante de hoje?
Num esforço coletivo, os textos curatoriais foram reescritos com base nos princípios da linguagem clara. Procurou-se não apenas a revisão por especialistas, mas também a escuta de pessoas leigas. Esta validação com o público é essencial.
Esta reescrita não foi apenas técnica: foi ética.
O projeto “Coisas para trabalhar e coisas para decorar” mereceu esta distinção pelo modo como alia clareza textual e acessibilidade sensorial. Nesta sala, os visitantes são convidados a tocar nos objetos — ferros de passar, bibelôs delicados — e a pensar com as mãos sobre o peso do trabalho e a leveza simbólica do luxo.
É um convite gentil, que não pressupõe saberes prévios, nem exclui quem não sabe quando começa ou termina um século. É uma proposta que respeita o ritmo de cada visitante e oferece instrumentos para pensar. Pelo cuidado humano, pela participação de leigos, pelo design que inclui Braille e pelo convite a sentir, premiamos o Museu do Ipiranga.
O júri
Cristina Santinho, Investigadora, CRIA.Iscte-IUL, Doutorada em Antropologia
Isabel Bastos, Historiadora de arte e Museóloga
Joana Reais, Cantora e Pesquisadora Artística e membro da Direcção da Acesso Cultura
