Prémio Acesso Cultura 2018: deliberação do júri

PRÉMIO ACESSO CULTURA – ACESSIBILIDADE INTEGRADA
Associação de Pais das Escolas da Freguesia de Cortes (Leiria) e Centro de Recursos para Inclusão Digital da Escola Superior de Ciências Sociais do Politécnico de Leiria

Projecto: A Rainha das Rosas

Trabalhar a acessibilidade, de uma forma transversal, alargada, continuada ao invés de excepcional, e integrada, é tarefa cada vez mais emergente e necessária. Contudo, este é um trabalho de inegável dificuldade, sair da actividade ou da proposta específica, que responde a uma necessidade específica, para ser adequada a todos, com especificidades mas sem ‘especialidade’. E se a concepção de actividades assim é trabalhosa e difícil, é-o, em parte, por via ainda da nossa relação, enquanto sociedade e enquanto sector cultural, com o diferente e com o especial e pela estranheza de lidar com o outro e com a expectativas que uns e outros têm face às necessidades mútuas. O livro A Rainha das Rosas é exemplo de como a vontade de que todos tenham acesso pode criar um projecto que é transversal, um projecto que assegura que crianças com características diferentes podem acompanhar a mesma história. Igualmente importante neste projecto é o envolvimento das crianças na construção do livro. Um projecto como este não é só exemplo de Acessibilidade Integrada hoje como o é na preparação de um futuro mais capaz e atento. Por estas razões o júri deliberou por unanimidade atribuir o Prémio Acesso Cultura – Acessibilidade Integrada à Associação de Pais das Escolas da Freguesia de Cortes (Leiria) e ao Centro de Recursos para Inclusão Digital da Escola Superior de Ciências Sociais do Politécnico de Leiria, criadores do livro A Rainha das Rosas.

PRÉMIO ACESSO CULTURA – ACESSIBILIDADE INTELECTUAL
Instituto de Tecnologia Química e Biológica ITQB NOVA, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas NOVA FCSH, Antena 1, Novartis
Projecto: 90 Segundos de Ciência

As barreiras intelectuais são as barreiras que são, certamente, mais amplas e mais menosprezadas. São também, com frequência, assumidas (ou impostas) exclusivamente aos públicos, aos visitantes e aos leitores que ‘não percebem’, ‘não entendem’, ‘não sabem’, ilibando mensagens demasiado codificadas com expressões e palavras, com conceitos, imperceptíveis para todos os não entendidos. A Ciência (e a Cultura Científica) é essencial para compreender e ler o mundo, para ir mais além. É ainda uma das áreas onde o acesso é, pela sua natureza, difícil. O programa 90 Segundos de Ciência possibilita esta compreensão. Permite a descodificação dos conteúdos, o acesso à informação. Fá-lo de modo amplificado, não se detendo a um equipamento cultural, a um território definido, mas sendo transmitido a nível nacional e estando disponível na Web. Este é um projecto que não só quebra barreiras de aproximação à cultura científica, como estimula a curiosidade e a descoberta, objectivos centrais na Acessibilidade Intelectual. Por estas razões o júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio Acesso Cultura – Acessibilidade Intelectual ao Instituto de Tecnologia Química e Biológica ITQB NOVA, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas NOVA FCSH, Antena 1 e Novartis pelo projecto 90 Segundos de Ciência.

PRÉMIO ACESSO CULTURA – ACESSIBILIDADE SOCIAL
Biblioteca Municipal de Marvila
Projecto: Biblioteca Humana

Quebrar barreiras tão sólidas quão, muitas vezes, imperceptíveis – como são o preconceito e a desconfiança sobre o que é menos conhecido – é uma tarefa árdua mas essencial no desenvolvimento de uma sociedade mais esclarecida, integradora e feliz. O projecto Biblioteca Humana assume-se como um instrumento poderoso de combate ao isolamento e à exclusão social, enquanto estimula o diálogo e a aproximação, propiciando a participação e a partilha de quem, por inúmeras razoes, é frequentemente alvo de julgamentos errados e discriminatórios por parte da comunidade onde vive. Constitui ainda um meio de formação e crescimento pessoal, permitindo à Biblioteca Municipal de Marvila cumprir a sua missão no combate à iliteracia e ao isolamento social, de um modo integrado e consistente, facilitando a vontade de participação da população de uma aérea particularmente desfavorecida, em termos de acesso social, à oferta cultural existente na cidade de Lisboa. Parece-nos, pois, que este projecto se assume como um trabalho alargado e muito meritório que promove a proximidade e quebra as barreiras do preconceito e do isolamento, pelo que, sendo tal o cerne dos propósitos da acessibilidade social, o Júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio Acesso Cultura – Acessibilidade Social à Biblioteca Municipal de Marvila pelo projecto Biblioteca Humana.

MENÇÃO HONROSA – ACESSIBILIDADE INTEGRADA
Museu Nacional de Machado de Castro e Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental (APPACDM) de Coimbra
Projecto: Imagens que Guiam

É essencial que os equipamentos culturais nacionais evoluam no sentido de assumir em pleno a obrigação que lhes cabe de assegurar que os serviços que prestam são acessíveis a todos os públicos, combatendo todos os obstáculos que ainda existem para que tal possa ser um dado adquirido. É importante que a garantia de acessibilidade dos equipamentos culturais nacionais tenha cada vez mais um carácter contínuo e ordinário, transmissível ao longo do tempo necessário para poder passar a ser assumido como certo por todo o público que, de alguma forma, possui algum tipo de necessidades especiais. O Museu Nacional de Machado de Castro tem vindo a garantir o acesso às visitas ao seu espaço e à arte que nele está disponível a público com incapacidade intelectual, assim permitindo o reconhecimento das suas capacidades sociais e culturais. Pelo exposto, o Júri decidiu por unanimidade que o trabalho desenvolvido pelo Museu Nacional de Machado de Castro e pela Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental (APPACDM) de Coimbra constitui uma forma de trabalhar a acessibilidade de um modo consistente e alargado, pelo que é merecedor de uma Menção Honrosa na área da Acessibilidade Integrada pelo projecto Imagens que Guiam.

MENÇÃO HONROSA – ACESSIBILIDADE SOCIAL
Associação Cultural Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando Eu Disser
Projecto: O Público Vai ao Teatro

O projecto O público Vai ao Teatro implementa soluções estratégicas na criação de sinergias entre o sector cultural e o público, promovendo de forma inovadora o acesso e o desenvolvimento do pensamento critico de novos públicos. O acesso à cultura é, desta forma, uma abordagem sem concessões, que proporciona um vinculo com um público activo e participativo no contexto. A forma facilitadora de criar laços com a comunidade e apreciação dos processos artísticos, para além de fidelizar os novos públicos, cria uma integração ao meio cultural, valorizando a experimentação e promovendo a inclusão social. O projecto, criado em 2011, conta com a sua segunda edição, e centra-se na implementação de actividades em torno da familiarização e aproximação dos participantes face aos fenómenos de governança cultural. Nesse sentido, o júri deliberou atribuir à Associação Cultural Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda quando eu Disser uma Menção Honrosa na área da Acessibilidade Social pelo projecto O Público Vai ao Teatro.

MENÇÃO HONROSA – ACESSIBILIDADE SOCIAL
PELE, Espaço de Contacto Social e Cultural

O trabalho desenvolvido pelo colectivo PELE é inspirador na medida em que nos mostra um esforço consistente na eliminação das barreiras sociais, independentemente das suas características. Ao centro do trabalho desenvolvido não estão ‘tipologias’ de isolamento ou alheamento social, mas sim a vontade de proximidade e de valorização dos outros, dos que nos rodeiam. Deve assim este projecto ser destacado como boa prática, recebendo por parte deste júri a uma Menção Honrosa na área da Acessibilidade Social.

MENÇÃO HONROSA – ACESSIBILIDADE FÍSICA
Museu das Marionetas do Porto

A acessibilidade física permite a qualquer cidadão, em igualdade de oportunidades, usufruir de forma autónoma dos espaços públicos, nomeadamente no sector cultural. Este projecto destaca um trabalho autoral artístico e têm como premissa criar de forma autónoma, dentro das suas possibilidades, acessibilidade a todos, independentemente da sua condição. As estratégias implementadas reflectem o esforço para encontrar soluções mesmo perante barreiras inevitáveis, criando desta forma um espaço sensível à mudança, com acesso à audiodescrição e Língua Gestual Portuguesa, contribuindo para potencializar a mudança de mentalidades face aos agentes culturais. Nesse sentido, o júri deliberou atribuir ao Museu das Marionetas do Porto uma Menção Honrosa na área da Acessibilidade Física.

O Júri:
Cecília Folgado, Comunicação Cultural
Diana Bastos Niepce, Bailarina e Coreógrafa
Francisca Carneiro Fernandes, Gestora Cultural

28 de Maio de 2018