Programa 2026
Local: Casa Fernando Pessoa, Lisboa
Planos e bionotas
13 de Abril: Módulo introdutório – enquadramento teórico com Denise Pollini
Neste módulo introdutório vamos alinhar alguns conceitos de base e preparar o terreno para as discussões dos módulos seguintes. O termo “mediação cultural” – relativamente recente no âmbito dos museus, centros culturais, bibliotecas e teatros – possui um significado e um histórico. Vamos fazer um exercício reflexivo com o objectivo de rastrear os diversos entendimentos do termo e será elaborado um historial da Mediação Cultural. Exemplos de diversos Museus, Centros Culturais, Bibliotecas e Teatros serão apresentados com o intuito de apresentar um panorama do uso deste termo e das respectivas práticas.
- Exercício reflexivo sobre as maneiras de conceber a mediação cultural;
- Do discursivo ao dialógico: um histórico sobre a evolução do termo: Mediação Cultural
- O que é suposto mediar? Uma reflexão sobre o escopo e o alcance da Mediação Cultural.
Denise Pollini Investigadora, educadora e curadora que vive em Antuérpia, Bélgica. Foi Coordenadora do Serviço Educativo do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, Porto, entre 2015 e 2021, e do Setor Educativo do Museu de Arte Brasileira (MAB-FAAP – São Paulo, Brasil) entre 1999 e 2015. Em 2023, realizou a curadoria, junto com Pascal Gielen, da conferência internacional e dos workshops “Comum: Pela Política e Estética da Partilha”, realizada no SESC em São Paulo, Brasil. Em 2024, foi assistente de pesquisa para o Kanal KANAL-Center Georges Pompidou em Bruxelas no projeto “Learning from the Commons” chefiado pelo curador Grégory Castera. Atualmente, desenvolve seu PhD na Universidade da Antuérpia, com o tema: “A Commoning Turn? Commons in Theory and Practice at Contemporary Art Institutions”, sob a orientação de Pascal Gielen e Gert Verschraegen. Desde 2022, integra o Centro de Investigação “Culture Commons Quest Office” (CCQO), em Antuérpia, onde investiga novas institucionalidades frente a museus e instituições culturais. É bolsista da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em Portugal desde 2022.
20 de Abril: Rita Pires dos Santos
Na área da mediação cultural perpetua-se a prática de criação de propostas “especiais”, exclusivamente para pessoas “especiais”, em dias e horários “especiais”. Desta forma, as organizações culturais reforçam a segregação das pessoas com necessidades específicas (concretamente, pessoas com deficiência, Surdas e/ou neurodivergentes) e, consequentemente, os estereótipos através dos quais se olha e se interage com elas. Se procuramos construir uma sociedade inclusiva e mais equitativa, devemos empenhar-nos na criação de espaços e propostas que possam ser partilhados por diversas pessoas, dando atenção e cuidando das necessidades específicas de cada uma. Defendemos uma visão mais holística, um acesso equitativo, que pressupõe, também, por parte das instituições culturais uma maior abertura e compreensão da diversidade que existe na sociedade. Acreditamos que a mediação cultural desempenha um importante papel no estabelecimento e reforço das relações entre as instituições e as pessoas.
É possível pensarmos de raiz actividades que possam acolher qualquer pessoa de forma respeitosa e informada? Fará sempre sentido? Quais os desafios que poderemos enfrentar?
- Base teórica
- Reflexão sobre casos de estudo concretos
- Programação educativa inclusiva, através de um exercício prático.
Rita Pires dos Santos é mediadora cultural. Em 1998 inicia o seu percurso no mundo dos museus no Museu Nacional do Teatro, Lisboa, onde desempenhou as funções de técnica de museologia. De 2001 a 2022 integrou a equipa do Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa, sendo responsável pela criação do Serviço Educativo, concebendo e realizando a programação educativa desta instituição, e desempenhando funções de coordenação. Nos entre tantos forma-se em História da Arte (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), e tem uma pós-graduação em Museologia (FCSH – Universidade Nova de Lisboa). Participa em diversas formações, cursos e seminários, nomeadamente, Serviço Educativo nas Instituições e Projectos Culturais (Sete Pés/Fundação Calouste Gulbenkian, 2004); Museus e Educação (Fundação Serralves/Rede Portuguesa de Museus, 2005); Design as Interpretation Masterclass (University of Leicester, School of Museum Studies, 2007); Behind the scenes at the 21st century museum (online course University of Leicester, 2015); Acessibilidade: Uma Visão Integrada (Acesso Cultura, 2015); Serviços Educativos: pontes de acesso (Acesso Cultura 2017); Descolonizar os museus: isto na prática…? (Acesso Cultura, 2019); Diversidade e Inclusão (Acesso Cultura, 2021); Museus em uma Era de Protesto (Acesso Cultura, 2022); I Congresso Internacional em Mediação Artística e Cultural (Escola Superior de Educação em Lisboa, 2022); Mediação Cultural (Acesso Cultura, 2023). Associada da Acesso Cultura desde 2014, tendo feito parte dos órgãos sociais, e desde 2023 como Presidente da Direcção. Actualmente, colabora activamente com a Acesso Cultura, nomeadamente no acompanhamento e realização de acções de capacitação, e, ainda, através da participação em diversas conferências e encontros. Retomou a actividade de mediadora cultural, em regime de freelancer, com projectos educativos em escolas e instituições culturais.
27 de Abril: Inês Barahona
Nesta sessão, trabalharemos em primeiro lugar sobre a clarificação de alguns conceitos fundamentais: O que é o trabalho de mediação? Quem são os mediadores? De que se faz a mediação? E os mediadores medeiam o quê? Para quê? E para quem? O que é o público? Haverá diferentes tipos de mediação? Deveremos distinguir a mediação cultural e a mediação artística? Na sequência da construção de um terreno conceptual comum, avançaremos para um trabalho prático de construção de estratégias de mediação, aplicáveis aos diferentes contextos profissionais dos participantes da formação, tirando partido de um léxico de ferramentas elaborado em conjunto. Através da apresentação de casos de estudo e experiências comparativas, ambicionamos estender o horizonte do mediador, num exercício de constante inventividade.
- Mediação: estar no meio, ligar as margens, construir as pontes, regular o trânsito
- Conhecer, convocar, abrir espaços, propor: atividades do mediador
- Tipos de mediação e perfil do mediador
- Finalidade da mediação
- Público: o que existe, o que ainda não o é, o que já deixou de o ser
Inês Barahona é licenciada em Filosofia e Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Faculdade de Letras (Universidade de Lisboa). Fundou, em 2014, com Miguel Fragata, a companhia de teatro Formiga Atómica, onde co-criou os espectáculos “A Caminhada dos Elefantes” (2013), “The Wall” (2015), “A Visita Escocesa” e “Do Bosque para o Mundo” (2016), “Montanha-Russa” (2018), “Fake” (2020) e “O Estado do Mundo” (2022). Assina os textos da companhia. Trabalhou com Madalena Victorino, entre 2005 e 2008, no Centro de Pedagogia e Animação, do Centro Cultural de Belém, onde desenvolveu projectos de relação entre as artes, a educação e diferentes comunidades. Foi co-autora do “Livro Escuro e Claro”, para a Direcção Geral das Artes, cuja distribuição acompanhou, dando formação a equipas de serviço educativo e professores. Colaborou com Giacomo Scalisi na inauguração do Teatro Municipal de Portimão, em 2008, tendo sido responsável pelas relações com a comunidade. Colaborou ainda com outros artistas na escrita e dramaturgia. Dá formação nas áreas da escrita, comunicação e mediação.
4 de Maio: Susana Gomes da Silva
Serviços educativos, programação de públicos, serviço de mediação, extensão cultural… Muitas são as designações que procuram descrever a área que dentro dos museus se dedica à construção de diálogos, espaços de aprendizagem partilhada e, acima de tudo, lugares de encontro. Como e porque construímos estes lugares de encontro, que conceitos e práticas enformam as nossas estratégias, que equipas desenham este tecido de construção conjunta, que questões presidem aos programas e atividades que esboçamos para e com os públicos? Estas e outras questões estarão no centro da abordagem e reflexão sobre mediação e programação educativa proposta por este módulo.
- Ainda faz sentido falar de serviços educativos?
- Como desenhamos espaços de encontro?
- Mediar é estar entre… o quê?
- Equipas e outras variações – o lugar e as vozes da mediação
- Construir conhecimento, desenhar mapas partilhados de sentido
- Ver, pensar, questionar – construir experiências significativas
Susana Gomes da Silva é programadora, mediadora cultural, professora e consultora na área de educação nos museus. Actualmente, é responsável de educação e programadora educativa no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (cujo serviço educativo fundou em 2002), tendo sido nos últimos 5 anos Responsável de Programação Educativa do Museu Gulbenkian (Coleção Moderna e Coleção do Fundador). É autora de várias publicações nacionais e internacionais. De 2019 a 2021, lecionou a cadeira de Mediação e Educação em Museus no mestrado de museologia da Universidade Nova de Lisboa. Gosta de pensar que é também uma espécie de parteira de serviços educativos, uma das tarefas que mais gosta de desempenhar.
11 de Maio: Leonor Toledo
A partir do fio da memória das/os participantes, este módulo pretende (1) reflectir criticamente sobre a infância como etapa específica do desenvolvimento humano; (2) apresentar a concepção de infância com base nas contribuições da Sociologia da Infância, da Psicologia Histórico-Cultural e da Filosofia de Walter Benjamin, que compreende a criança como sujeito histórico, social e cultural, estabelecendo uma relação dialógica e crítica com o meio em que está inserida. O módulo irá também (3) reflectir sobre a presença das crianças nos museus e espaços culturais e (4) pensar colectivamente propostas de mediação cultural coerentes com a concepção de infância apresentada.
- Memórias da criança que fui: a experiência da infância em perspectiva.
- A infância como experiência social e cultural.
- A criança, produto da cultura e produtora de cultura: Interlocução com a Sociologia da Infância, a Psicologia Histórico-Cultural e a Filosofia de Walter Benjamin.
- As crianças nos espaços culturais. Que propostas para este público?
Leonor Toledo é Psicóloga, Especialista em Educação de Infância e Doutora em Educação (PUC-Rio). Trabalha com formação de educadores de infância há mais de dez anos. Foi professora do Departamento de Educação da PUC-Rio, na graduação em Pedagogia e no curso de Especialização em Educação Infantil. Atuou como investigadora vinculada ao INFOC – Grupo de Pesquisa Infância, Formação e Cultura entre 2009 e 2019. Foi professora no Mestrado em Educação Pré-Escolar da ESELx/IPL de 2020 a 2023. Encantada especialmente pela literatura e fotografia, acredita na formação estética e cultural como caminho metodológico na formação de educadores, na medida em que o olhar poético aproxima-nos da forma sensível como as crianças percebem o mundo.
18 de Maio: Filipa Barros
As bibliotecas públicas têm sido consideradas espaços seguros, consagrados ao conhecimento e às vivências e partilha de saberes. Nas últimas décadas tem-se assistido à transformação da prática bibliotecária que visa contribuir ativamente para a melhoria da vida em comunidade, e o respeito por valores e direitos humanos. Nesta sessão, iremos analisar exemplos de bibliotecas com forte impacto territorial, como as bibliotecas em zonas de conflito, ou bibliotecas comunitárias e de rua, com as dinâmicas vibrantes, desburocratizadas e livres. Iremos projetar cenários sobre serviços inovadores, procurando diversas soluções, formatos e conteúdos aplicados à mediação do livro e da leitura. Tomaremos como base a partilha de experiências, e a exploração de exemplos nacionais e internacionais, que inspiram pela coragem e compromisso ético.
- Biografia leitora: mapas e trajetórias
- Histórias por detrás dos livros: conteúdos para mediação
- Mediação informando a catalogação
- Mediação, posicionamento e democracia nas bibliotecas
- Mediação, ação colaborativa e gestão partilhada
Filipa Barros é licenciada em psicologia clínica. Estudou cinema documentário em Madrid e coordenou projetos educativos em Portugal e Espanha. Após um mestrado em biblioteconomia, no qual investigou a interoperabilidade de bases de dados de autores/as, foi consultora do centro de documentação do Teatro Nacional D. Maria II e dirigiu a Biblioteca Espaço Cultural Cinema Europa. Coordena a Biblioteca de Belém e é membro do grupo Lighthouse Libraries (Public Libraries 2030). Actualmente, realiza um mestrado em ilustração/picture book na Ars in Fabula, Academia de Belas artes de Macerata, Itália.
25 de Maio: Módulo com Virgínia Gomes
Porquê criar programas para pessoas com demência e seus cuidadores, em museus? A realidade demográfica portuguesa e europeia demonstram a inversão da pirâmide etária e a urgência em apoiar uma faixa da população idosa, muitas vezes ativa, para a qual as iniciativas culturais são um meio de socialização e de recuperação de cidadania. A obra de arte utilizada como instrumento de comunicação da matriz cultural e pessoal destes públicos, pode ser um motor de promoção da saúde mental, do enriquecimento cultural e de inclusão social. As práticas internacionais e o exemplo nacional, através do programa EU no musEU, serão abordados aqui, sob a perspectiva da motivação, das parcerias, das equipas, das metodologias, da formação, da investigação, das avaliações regulares do programa, sua validação e impacto junto dos públicos. Por outro lado, o projeto Avós do Museu, criado igualmente para públicos adultos idosos, no âmbito do envelhecimento ativo, incentiva o diálogo intergeracional, a partir das coleções do museu e das experiências de vida dos mais velhos, com crianças em idade pré-escolar.
- A obra de arte como instrumento de comunicação e de promoção da acessibilidade intelectual e social, com públicos com necessidades específicas, em contexto museológico;
- Na fruição da obra de arte e do espaço museológico por pessoas com demência: EU no musEU (grupo dos Participantes);
- Na aprendizagem em idade adulta, com adultos idosos: EU no musEU (grupo dos Cuidadores); na intervenção cultural e social, pelo projeto intergeracional Avós do Museu.
- Exemplos e exercícios práticos.
Virgínia Gomes é conservadora das coleçcões de Pintura, Desenho e Gravura do Museu Nacional de Machado de Castro em Coimbra, desde 1993, tendo produzido investigação sobre pintura antiga e comissariado exposições, em diferentes áreas e com equipas multidisciplinares. Coordena alguns projetos de inclusão, com destaque para o programa EU no musEU, para pessoas com demência e seus cuidadores informais, criado em 2011, distinguido e referenciado por organismos da sociedade e da cultura em Portugal e na UE e já replicado em Viseu, em 2018. Licenciada em História, pela FLUL (1983-1987), complementou a formação académica com as disciplinas curriculares de História da Arte, pela FLUC (1996-2000) e especializou-se em comunicação aumentativa junto de pessoas com demência, em museus, com o mestrado em Educação Especial, pela ESECS do Instituto Politécnico de Leiria (2014-2016). Defende o papel do Museu como agente ativo na promoção da (in)formação para todos e com todos.
