Cartaz do seminário

Cultura e Direitos Humanos
Direito à participação cultural: periferias geográficas e outras
10 e 11 de Dezembro de 2020
Online, no Zoom, das 9h30 às 12h30
Inscrição gratuita, mas obrigatória

A Direcção Regional da Cultura do Alentejo assinala os 70 anos da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, pois acredita ser fundamental continuar a promover o conhecimento e a mais ampla divulgação do 1º tratado europeu de direitos humanos, assinado em 4 de Novembro de 1950. Em 2020, os líderes do Conselho da Europa lembram as condições excecionais em que se deu a proclamação deste importante instrumento legal de promoção e proteção dos DH, e apontam como desafio no espaço europeu a eventual adesão da União Europeia à Convenção. Neste seminário, procuraremos reflectir sobre o papel da Cultura nesta temática, numa sociedade sempre complexa e perante um cenário de retrocesso em vários países da Europa e do mundo.

Considerando, concretamente, o direito à participação cultural (Artigo 27º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e Artigo 73º da Constituição da República Portuguesa), propomos reflectir sobre as periferias, geográficas e outras. Neste seminário serão abordadas questões como:

  • O que pode ser considerado centro e periferia?
  • Serão conceitos apenas geográficos?
  • O que constitui barreira à participação cultural?
  • O que é que se faz hoje – no terreno, em Portugal e no estrangeiro – para ultrapassar estas barreiras e criar condições de acesso à participação cultural? Quais as políticas culturais e os projectos culturais e artísticos concretos?

No primeiro dia do seminário (10 de Dezembro), iremos explorar estas questões com Maria Vlachou do ponto de vista teórico, analisando também vários casos de estudo. No segundo dia (11 de Dezembro), poderemos ouvir e conversar com três convidadas com larga experiência em diferentes áreas culturais: Helena Girão Santos, Joana Villaverde e Maíra Zenum.

Ficha de inscrição

Notas biográficas

Helena Girão Santos é livreira, proprietária da livraria Fonte de Letras, em Évora. Formada em Psicologia, trabalhou durante 12 anos como redactora de publicidade em Lisboa. Em 2000, deixou Lisboa para abrir a livraria Fonte de Letras em Montemor-o-Novo, cidade onde tinha raízes familiares. No caminho de todos os caminhos, cresceu uma livraria independente de referência nacional. Em 2013 as circunstâncias económicas do país levaram a Fonte de Letras a mudar-se para Évora, para poder continuar a ser a livraria que sempre foi, fazendo parte da vida cultural da cidade e do Alentejo.

Joana Villaverde é artista plástica. Nasceu em Lisboa, mas vive e trabalha em Avis. Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro desde 1998. Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para a residência Location One em Nova Iorque. Artista residente na Guest House da Fundação Qattan em Ramallah. Colabora regularmente em teatro, com a criação de cenografias para produções apresentadas em vários teatros nacionais. Publicou “Emma” (Cavalo de Ferro, 2003) e “Animals Nightmare” (Edições Documenta, 2017). Em 2016 desenvolveu o projeto “Mar”, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Grupo Bensaúde. Inaugura o seu atelier Officina Mundi em Avis em 2018, onde assume a direção artística e programação. O seu trabalho está representado na Coleção MAAT-Fundação EDP, quARTel Coleção Fernando Ribeiro, Diocese de Beja e em várias coleções particulares em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos da América e Palestina.

Maíra Zenun é Doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás, com a tese “A Cidade e o Cinema [Negro]: o caso FESPACO”, sobre teoria do conhecimento e cinema decolonial. Mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília, com a dissertação “Os Intelectuais na Terra de Vera Cruz: cinema, identidade e modernidade”, sobre a industrialização do cinema brasileiro. E Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou como investigadora e produtora de imagens do TRANSE/UnB e desde 2014 colabora com o FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro. Em 2015, criou em Lisboa, em parceria com outras artistas e pensadoras, o Coletivo Nêga Filmes, onde desenvolvem trabalhos transdisciplinares com poesia + performance + cinema + ciências humanas + fotografia. É poeta, produtora de imagens e programadora cultural. E desde 2016, coordena e faz a curadoria da Mostra Internacional de Cinema na Cova – África e suas Diásporas.

Maria Vlachou é consultora em Gestão e Comunicação Cultural. Membro fundador e Directora Executiva da associação Acesso Cultura. Autora do blog Musing on Culture (e do livro homónimo). Gestora da página de Facebook Museum texts / Textos em Museus e co-gestora do blog Museums and Migration. Participa actualmente no projecto europeu RESHAPE – Reflect, Share, Practice, Experiment, sendo membro do grupo de reflexão “Arts and Citizenship”. Foi Directora de Comunicação do São Luiz Teatro Municipal (2006-2012) e Responsável de Comunicação do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva (2001-2006). Foi consultora do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva e da Comissão Cultural da Marinha. Colaborou com os programas Descobrir e Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian. Fellow e membro do ISPA – International Society for the Performing Arts (2018, 2020). Alumna do DeVos Institute of Arts Management at the Kennedy Center for the Performing Arts (Washington, 2011-2013); Mestre em Museologia pela University College London (1994); Licenciada em História e Arqueologia (Universidade de Ioannina, 1992).